“ALMA DE CÃO” – Histórias do Parque, com amor (pág. antiga)
Queridos amigos e leitores:
Conforme anunciamos, recentemente, que teríamos de o fazer em breve, é agora o momento de procedermos, POR UMA RAZÃO MUITO BOA, a uma profunda alteração nesta página… em que vos temos vindo a contar histórias com “Alma de Cão” desde 4 de Março de 2009!
Esta é a nossa razão… e a realização de um sonho há longo tempo acalentado:
A série “ALMA DE CÃO – Histórias do Parque, com Amor” foi, finalmente, publicada em livro! É verdade… estamos mais felizes do que é possível expressá-lo, porque as histórias dos nossos amiguinhos, algumas das quais aqui tivemos o prazer de partilhar convosco ao longo, já, de mais de dois anos, e outras mais que entretanto “eles” nos foram “ditando” para nós contarmos, ficam, assim, a partir de agora, gravadas, fisicamente, para sempre… e poderão ser “tocadas” pelos leitores, como se… sim, como se estivessem a tocar, a acarinhar, também fisicamente, os protagonistas – mesmo aqueles que já não se encontram fisicamente entre nós!
Aqui fica, pois, uma pequena mas muito sentida lembrança – para uns – e “amostra” – para outros – do que os nossos amigos, os cães ao nosso cuidado, os residentes do P.T.N., mas, sobretudo, dos nossos corações, vos contam e contarão… neste livro:
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Com amor,
- A autora e os protagonistas de “ALMA DE CÃO – Histórias do Parque, com Amor”, e toda a Equipa do P.T.N.
“O cão deve ter, algures dentro de si, uma Alma
onde, com o seu orgulho, enterra todas as suas dores e mágoas (…) Ele amará, mesmo que não seja amado, e servirá, mesmo que seja maltratado, e uma palavra carinhosa bastará para apagar da sua memória os maus momentos sofridos.” – Do poema “A Dog’s Soul” (a alma de um cão) – Autor desconhecido“Para podermos apreciar devidamente a companhia de um cão, não devemos apenas treiná-lo de forma a tornar-se semi-humano; o que verdadeiramente faz sentido, é mantermo-nos abertos à possibilidade de nos tornarmos nós, em parte… cão!” – Edward Hoagland

“Tornar-nos, em parte, cão”… pois parece que, aos poucos, foi mesmo isto que me foi acontecendo! Ao longo de toda uma vida na companhia deles, e certamente aprendendo muito mais com eles do que eles comigo, creio que eles não só me ajudaram a ser uma pessoa melhor, como também me foram transmitindo uma boa parte da sua Alma de Cão – hoje, e para sempre, talvez a melhor parte da minha!
É a essa parte melhor da minha Alma, portanto, que presto o meu agradecido tributo, com esta colecção de histórias verídicas. As histórias deles, nem sempre tristes, nem sempre alegres, mas todas, todas, com um denominador comum: muito amor – geralmente, acima de tudo, e apesar de tudo, o deles…
Como só o podem ser as histórias com verdadeira…
… Alma de Cão!
Espero que aquilo que vão ler chegue, também, à vossa Alma… ou melhor, atrevo-me a ter desde já a certeza de que… já lá chegou!
Um grande abraço, da vossa amiga
- Paula Costa” – (Excerto da Introdução de “ALMA DE CÃO – Histórias do Parque, com Amor”)
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Sou a PRETA, e lembro-me muito bem. Do meu companheiro humano, que gostava de mim, e eu dele. Da rua, que era a casa de nós os dois. De tudo o mais que partilhávamos – comida e fome, agasalhos e frio; solidão, que a dois se tornava companhia; e a indiferença de muitos, muitos outros humanos que passavam por nós… menos um, ou antes, uma. Uma que nos via, aos dois, para além dos farrapos e da sujidade, como seres vivos, com carências semelhantes, não só físicas, mas emocionais, e não como símbolos enxovalhados de algo que, quanto mais é temido, mais é evitado como mal contagioso e afastado com nojo – a miséria.
Sim, lembro-me muito bem de tudo isso. Mas, sem ter esquecido o resto, lembro-me, especialmente, das coisas boas, dos momentos bons, dos seres humanos bons – e o tal resto, torna-se irrelevante. É que, na memória de um cão, há este espaço que, à medida que se vai enchendo, vai esvaziando todos os outros – e que os humanos, quando o reconhecem, definem como “amor incondicional”.
A Paula é, como era o meu companheiro e como foi aquela que, primeiro, nos ajudou, mais um dos seres humanos que reconhecem esse espaço – e vai contar-vos como me conheceu, e acabou por acolher, num espaço idêntico.
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A PRETA “GRANDE” veio para cá em 3 de Agosto de 2004 – pela mão de alguém que a encontrou no Porto, onde também vivia, e que é muito sensível e atenta a todas as misérias e dificuldades que afectam, na nossa sociedade, todos os animais, humanos e não humanos.
O companheiro humano desta cadelinha tratava-a bem, e gostava muito dela. O único problema é que se tratava de um rapazinho que, infelizmente, se entregara à droga. Mesmo assim, ele não se separava da sua amiga, nem a sua amiga dele – e, quando precisava de ajuda para a cadelinha – que, para ele, raramente pedia alguma coisa – ia ter com essa pessoa, que lhe dava alimentos e agasalhos para os dois, e medicamentos, quando necessário.
Como se sabe, o problema da toxicodependência pode afectar todos os tipos de pessoas, boas ou más. Neste caso, tratava-se de uma pessoa boa, mas fraca, de saúde muito débil, e que acabaria por contrair, mais tarde, o VIH (também conhecido pela sigla HIV).
Este rapaz passou muito mal, vivendo onde calhava, e comendo, também, do que calhava mas a sua cadelinha esteve sempre com ele. Um dia, no entanto, ficou tão mal, que teve de ser internado, recorrendo à Acção Social. Antes de partir para o hospital, porém, foi ter com aquela pessoa, sua e nossa amiga, e pediu-lhe que ficasse com a sua PRETA até ele regressar. E ela assim fez.
Entretanto, foi visitá-lo várias vezes ao hospital, levava-lhe notícias e fotografias da PRETA… enfim, fez tudo o que pode.
Um dia, contudo, chegou ao hospital para a visita… e o rapazinho tinha falecido! Imagine-se o que ela sentiu…
Ficou com a PRETA, até que achou que ela estava muito triste e abatida, não só pela falta do seu companheiro e amigo, mas também por viver num apartamento T1, sem espaço para brincar e para se distrair das saudades. Telefonou-nos…
… E a PRETA veio para cá, e cá ficou. Deve ter, agora, cerca de 12 anos. Não lhe mudamos o nome, embora já cá tivéssemos outra “Preta”, porque esse foi o nome que o seu companheiro, que a adorava, lhe deu. Ficou assim a distinguir-se da outra como PRETA “GRANDE”.
Esta nossa amiga é cruzada de Pit Bull, mas é muito meiga. Não pode, no entanto, comer com os seus companheiros caninos. Tem de comer só, porque não divide nada com ninguém, nem tolera ameaças dos outros, talvez porque, em tempos, teve de lutar pela guarda da sua escassa comida, e da do seu companheiro humano, nas ruas onde viviam. Ela própria carrega a sua tigelinha, apesar de pesada, para o seu ninho, e lá fica, toda satisfeita, à espera que nós lhe fechemos a porta!
É muito engraçada e amistosa, acabou por ir superando, aos poucos, a falta do seu antigo companheiro e amigo, adora festas, e – eis algo que muito nos gratifica verificar – vive feliz!
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- A história da PRETA “GRANDE” é apenas uma das muitas – igualmente comoventes, ou ainda mais dramáticas, ou com algo de engraçado e muito de esperançoso… mas com ALMA e muito AMOR como denominadores comuns – que poderá recordar ou ficar a conhecer no livro “ALMA DE CÃO – Histórias do Parque, com Amor”!
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